Steve Jobs escreve carta listando 6 razões para não se usar flash em softwares para iPhone, iPods e iPads
30 de abril de 2010 por Marcelo Alves
Steve Jobs escreveu uma carta intitulada “Toughts on Flash” (Pensamentos sobre o Flash) e a publicou no site da Apple para esclarecer a posição de sua empresa com relação à tecnologia da Adobe.
A carta começa falando da longa relação entre as duas empresas, Steve Jobs diz conhecer os fundadores da Adobe desde o tempo que eles ocupavam a lendária garagem. Segundo ele a Apple foi o primeiro cliente grande da Adobe que adotou a linguagem Post Script desenvolvida pela empresa nas impressoras Laserwrite. A Apple investiu na Adobe chegando a possuir 20% da companhia. Ele também menciona o sucesso dos produtos Adobe com os usuários do MAC e diz que as companhias ainda tem muitos interesses em comum.
Ele continua: “Eu gostaria de falar rapidamente alguns dos nossos pensamentos sobre os produtos Flash para que os clientes e os críticos possam entender melhor a razão de não permitirmos Flash em iPhones, iPods e iPads. A Adobe classificou nossa decisão como sendo principalmente ligada a negócios – eles dizem que nós queremos proteger nossa App Store – mas na verdade é baseada em questões tecnológicas. A Adobe alega que somos um sistema fechado, e que o Flash é aberto, mas a verdade é o contrário disso.”
Ele ainda cita 6 motivos para não se usar a tecnologia Flash nos gadgets da Apple:
1- Aberto
“Os produtos Adobe Flash são 100% proprietários. Eles estão disponíveis apenas pela Adobe, e a Adobe possui controle exclusivo quanto a preços, desenvolvimento, etc…” Ele então lembra que a Apple possui “muitos produtos proprietários também”, mas eles não são relacionados à web. “Nós realmente acreditamos que todos os padrões pertencentes à web deveriam ser abertos. Em vez de usar Flash, a Apple adotou o HTML5, CSS e JavaScript – todos padrões abertos.”
2- Toda a web
“A Adobe tem dito repetidas vezes que os aparelhos móveis da Apple não conseguem acessar “toda a web” porque 75% dos vídeos da web estão em Flash,” explica Steve Jobs (temos de admitir, essa é uma alegação da Adobe que já se provou em parte verdadeira por nossas próprias experiências). “O que eles não dizem é que quase todos esses vídeos também estão disponíveis em um formato mais moderno, H.264, e podem ser vistos em iPhones, iPods e iPads.
Outra afirmação da Adobe é que os aparelhos da Apple não conseguem rodas games em Flash. Isso é verdade. Felizmente, existem mais de 50 mil jogos e títulos de entretenimento na App Store.
Há confiança, segurança e desempenho
“Recentemente a Symantec destacou o Flash por possuir um dos piores recordes de segurança em 2009. Nós também sabemos em primeira mão que o Flash é a razão número um para crash nos Macs”, diz Steve Jobs.
Esse é um ponto que é difícil discutir, já que o Flash é provavelmente também a razão número um para o crash em nossos browsers na internet. Apesar de não estarmos totalmente certos sobre o aspecto de segurança, nossos Macs parecem bastante seguros com ou sem o Flash, ao menos contra vírus e malware. É difícil imaginar o Flash rodando em um ambiente que não seja fechado em aparelhos móveis da Apple.
4- Vida da bateria
“Para alcançar um tempo maior de vida de bateria quando estão reproduzindo vídeos, aparelhos móveis precisam decodificar o vídeo em hardware; decodificá-lo em software usa muita energia.”, conta Steve Jobs. “Apesar de o Flash ter adicionado recentemente um suporte para H.264, os vídeos em quase todos os sites com Flash requerem, atualmente, uma geração mais antiga de decodificador que não está implementada em chips móveis e precisa ser executada em software. A diferença é enorme: em um iPhone, por exemplo, os vídeos H.264 podem ser reproduzidos por cerca de 10 horas, enquanto vídeos decodificados em software rodam por menos de 5 horas antes da bateria estar totalmente descarregada.”
5- Toque
Jobs faz uma observação interessante sobre telas sensíveis a toque. “O Flash foi desenvolvido para computadores que usam mouse, não para telas sensíveis que usam dedos. Por exemplo, muitos sites em Flash dependem do “rollover”, que abrem menus ou outros elementos quando a seta do mouse passa sobre um local específico. A interface revolucionária multitoque da Apple não utiliza um mouse, e não há conceito de rollover (rolamento). A maioria dos sites Flash precisará ser reescrita para suportar aparelhos baseados em tecnologia touch. Se os desenvolvedores precisam reescrever seus sites Flash, por que não usar tecnologias modernas como HTML5, CSS e JavaScript?”
6- A razão mais importante
Jobs afirma que “nós discutimos os aspectos negativos de se usar Flash para reproduzir vídeos e conteúdo interativo de sites, mas a Adobe também quer que os desenvolvedores adotem Flash para criar apps que rodem em nossos aparelhos móveis.”
Isso chega ao âmago da questão, e talvez aprofunde o e-mail que Steve Jobs enviou para um cliente da Apple, que dizia: “Nós já estivemos lá antes, e intermediar camadas entre a plataforma e o desenvolvedor ultimamente produz apps de padrão mais baixo e impede o desenvolvimento e progresso da plataforma.”
Ao final, Steve Jobs escreve uma conclusão que reproduzimos aqui. Vale a pena ler:
“Conclusões.
O Flash foi criado durante a era do computador pessoal – para PCs e mouses. O Flash é um negócio de sucesso para a Adobe, e nós podemos entender porque eles querem colocá-lo em outros lugares além de computadores. Mas a era móvel é sobre aparelhos com menos energia, interfaces de toque e padrões abertos de internet – todas áreas onde o Flash é pequeno. A avalanche de aplicativos para aparelhos móveis da Apple demonstra que o Flash não é mais necessário para assistir a vídeos ou consumir qualquer tipo de conteúdo para web. E os 200 mil apps da App Store provam que o Flash não é necessário para dezenas de milhares de desenvolvedores criarem aplicativos com riqueza de gráficos, incluindo games. Novos padrões abertos criados na era móvel, como o HTML5, irão triunfar em aparelhos móveis (e PC´s também). Talvez a Adobe devesse se focar mais em criar ótimas ferramentas HTML5 para o futuro, e menos em criticar a Apple por deixar o passado para trás.”
Resposta da Adobe
Em entrevista para o “Wall Street Journal”, Shantanu Narayen , CEO da Adobe, rebate as críticas de Steve Jobs dizendo que elas não passam de uma cortina de fumaça.
Shantanu Narayen diz ainda que mais de 100 aplicativos Adobe foram admitidos na AppStore.
Sobre a acusação feita por Jobs de que os softwares da Adobe são a principal causa de travamentos do Mac, Narayen responde que, se isso acontece, deve ter a ver com algo no sistema operacional da Apple.
A acusação de Jobs sobre o Flash ser responsável por drenar carga da bateria é “patentemente falsa”, disse o CEO ao jornal. “Para cada uma das acusações feitas há um lock-in proprietário” que impede a Adobe de inovar, conta.
Narayen reforça que a Adobe tem uma visão de mundo que abraça várias plataformas de computação, e diz acreditar que esse modelo prevalecerá.
Font: Mac World
















30 de abril de 2010 às 8:54
..Steve acha que o mundo gira em torno de ipods..ou que programadores ganham a vida fazendo joguinhos para usuarios brincar no metro ou saida de colegio..kkkk
..Se alguem quer jogos de verdade que comprem um Xbox..